Eu não sigo placa, não
Nem manual de salvação
Meu guia é um tropeço bem dado
E a dúvida como religião
Já me chamaram de doido
Porque eu penso por mim
Mas mais louco é quem aceita
Viver num mundo assim
Eu não quero ser exemplo
Nem herói de televisão
Quero errar com consciência
E acertar meu próprio chão
Se a verdade é uma gaiola
Eu prefiro a contramão
Liberdade dá vertigem
Mas também dá direção
Não me venda o paraíso
Parcelado em prestação
Prefiro o inferno vivo
Do que o céu por submissão
Eu não rezo pra promessa
Nem pra medo disfarçado
Meu Deus gosta de perguntas
E não de povo calado
Eu sou minha própria seita
Meu profeta fui eu
Se amanhã eu mudar tudo
Ainda assim, fui eu quem escolheu
Porque a única revolução
Que não vira tirania
É a que acontece por dentro
Todo santo dia