Ela não cabe no horário
Nem na prateleira do que ditam ser bom senso
Ela não pede licença pra existir
Chega chegando, mesmo com medo por dentro
Ela já caiu de salto alto algumas vezes
Já dançou no próprio tropeço
Fez do erro um manifesto
E da dor, um endereço temporário
Ela às vezes ama errado, ama fundo demais o que não tem profundidade
Ama quando já devia ir embora
Mas quando vai, vai inteira
Sem deixar fiapo de alma na porta
Ela conversa com o invisível
Ri quando tudo manda chorar
Tem um coração indomável
Que insistem em domesticar
Ela é perigo pra quem gosta de controle
É poesia pra quem já se perdeu
Não nasceu pra caber, nem pra ser molde
Ela é dela e isso já doeu
Ela não vende a própria chama
Pra caber num amor pela metade
Prefere a solidão honesta
À companhia que rouba a sua verdade
Já tentaram chamá-la de louca
Porque ela sente demais
Mas loucura mesmo é viver morno
Fingindo que isso é paz
Ela é perigo pra quem gosta de controle
É poesia pra quem já se perdeu
Não nasceu pra caber, nem pra ser molde
Ela é dela e isso já doeu
Ela não quer ser salva
Quer ser vivida
E quem não aguenta
Que saia da frente