Lembro-me do pátio, da sala, da praça
Recordo-me da biblioteca, do teatro
Do parque e Dela
Imagino seus risos, gestos
Comentários sem sentido
Imortais em minha lembrança
Ouço gritos na cozinha e pra lá do muro
Querem dizer algo
Não quero entender o que dizem
Houve um período
Em que gritos me faziam tão bem
Precisava deles, esperava por eles
Me preenchiam
Gritos de felicidade
Uma das melhores sensações
Das quais podemos provar
Gritando qualquer coisa
Para que todos nos ouçam
Eles, os outros nos ouçam
Saborear e sorver nossas vidas
Encher os pulmões de oxigênio
Desatar qualquer forma de medo
Com relação a mais sincera expressão
Num sopro que nos proporciona existência
Fiquem paralisados
Endurecidos, emudecidos e chocados
Sem reação com tal atitude impensada
Somos muito pouco espontâneos
Penso que esse seja nosso grande pecado
É nisto que acredito
Vivemos acurralados por nós
E isso também não é novidade
Não se resume ao que fizeram e fazem
Mas ao que nós fizemos e fazemos
Muito já foi dito a esse respeito
Esse comentário é apenas mais um plágio
De toda cópia produzida e reproduzida do restante
Mas é assim, precisamos apenas do clichê
Para continuarmos. As demais características
Não passam de adereços
Gritos de felicidade
Uma das melhores sensações
Das quais podemos provar
Gritando qualquer coisa
Para que todos nos ouçam
Eles, os outros nos ouçam
Pois o clichê, nem sempre basta ou bastará